O Fluxo #8 · Gestão
Se tudo é urgente, nada é prioridade
Tem uma frase que eu escuto em quase toda operação sobrecarregada, sempre com o mesmo tom de orgulho meio cansado.
O Fluxo #8 · Gestão
Tem uma frase que eu escuto em quase toda operação sobrecarregada, sempre com o mesmo tom de orgulho meio cansado.
Tem uma frase que eu escuto em quase toda operação sobrecarregada, sempre com o mesmo tom de orgulho meio cansado.
Aqui é tudo para ontem.
E toda vez que escuto, penso a mesma coisa. Se é tudo para ontem, então nada é de verdade prioridade. Porque prioridade só existe quando alguma coisa fica para depois.
O que eu costumo ver não é falta de esforço. É o contrário.
São times trabalhando muito, correndo o dia inteiro, com uma lista de demandas que nunca diminui. Tudo entra marcado como urgente. Tudo precisa ser feito agora. E no meio disso, ninguém consegue dizer o que realmente importa, porque tudo aparece com a mesma etiqueta de emergência.
O resultado é estranho. Muita coisa começa, pouca coisa termina. O time vive a sensação de estar sempre atrasado, mesmo trabalhando sem parar. E a energia se espalha por tantos lados que nenhum recebe o suficiente para chegar ao fim.
Eu penso nisso como a diferença entre um funil e um tubo.
Num tubo, tudo que entra sai do outro lado. Não há escolha, não há filtro, não há decisão. O que chega passa direto. E o que um tubo produz é exatamente o que essas operações vivem: tudo entrando, tudo virando urgente, nada sendo de fato escolhido.
O funil é diferente. Ele estreita de propósito. Nem tudo passa, e é justamente por isso que funciona. Ele obriga uma escolha. Ele protege o que está do outro lado de receber mais do que consegue dar conta.
A maioria das operações sobrecarregadas não tem um problema de capacidade. Tem um tubo funcionando onde deveria existir um funil.
E aqui está a parte que me faz pensar.
Escolher o que fica para depois é desconfortável. Dizer "esse agora não" soa como falha, como se a gente não estivesse dando conta. Então, para não ter essa conversa difícil, a gente aceita tudo. E aceitar tudo parece generoso, parece comprometido, parece o certo.
Só que aceitar tudo não é priorizar. É terceirizar a escolha para o cansaço. Porque no fim, alguma coisa vai ficar de fora de qualquer jeito. A única diferença é se foi você quem decidiu, ou se foi o esgotamento do time que decidiu por você.
A gente não conseguia lançar quase nada. Não por falta de ideia. Tinha ideia demais. Faltava alguém dizer em qual delas a gente ia apostar de verdade.
Priorizar não é sobre fazer mais rápido.
É sobre ter a coragem de escolher e de sustentar a escolha quando tudo ao redor grita que é tudo para ontem.
Até a próxima, Fer · Bravê
Publicado originalmente em O Fluxo #8 — abre em nova aba, a newsletter da Bravê no LinkedIn.
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