O Fluxo #4 · Criatividade
Caos não é criatividade
Dei uma palestra na Semana de Design da UFF. No fim, na hora das perguntas, um estudante me fez uma que eu não soube responder direito.
O Fluxo #4 · Criatividade
Dei uma palestra na Semana de Design da UFF. No fim, na hora das perguntas, um estudante me fez uma que eu não soube responder direito.
Dei uma palestra na Semana de Design da UFF.
No fim, na hora das perguntas, um estudante me fez uma que eu não soube responder direito. Ele perguntou onde poderia encontrar mais conteúdo e treinamento sobre isso, sobre processo e organização voltados para quem trabalha com criação.
E eu travei. Porque a resposta honesta é: quase não existe.
Tem muito material sobre metodologia de processo. Tem muito material sobre criatividade. Mas sobre como esses dois mundos se encontram, sobre como organizar um time criativo sem matar o que o torna criativo, quase nada foi construído para esse profissional. Aquela pergunta ficou comigo a semana inteira.
Porque ela toca numa crença que começa cedo, ainda na faculdade, e segue a pessoa pela carreira inteira.
A crença de que criativo precisa de liberdade total. De que estrutura engessa, processo limita, organização mata a inventividade. De que o caos é o ambiente natural de quem cria, e qualquer tentativa de organizar isso é um ataque à criatividade.
Eu acreditei nisso por um tempo também. Até ver de perto o que o caos faz com um time criativo de verdade.
O que eu vi não foi liberdade. Foi gente talentosa travada.
Energia enorme, ideias por todo lado, e nada saindo do lugar. Projetos atrasando não por falta de capacidade, mas porque ninguém sabia ao certo o que tinha sido decidido, o que era prioridade, o que já estava aprovado. O dia inteiro gasto apagando incêndio e refazendo o que já estava feito.
Aquilo não era caos com cara de liberdade. Era falta de estrutura se passando por liberdade.
E a diferença entre as duas coisas é enorme. Liberdade é poder criar sem se preocupar com o que já deveria estar resolvido. Caos é ter que resolver tudo, o tempo todo, do zero, porque nada está no lugar.
Eu costumo explicar isso com música, e foi assim que expliquei para os estudantes.
Um baterista iniciante pensa em cada movimento. Onde colocar a mão, quando bater, qual o tempo. É esforço puro, e o resultado é travado. Um baterista experiente não pensa em nada disso. Ele já internalizou a estrutura, então a mão vai sozinha e a cabeça fica livre para pensar na música. No groove.
Processo bem feito é isso. Não é a regra que prende. É a estrutura que você internaliza para parar de gastar energia com o básico e poder pensar no que importa.
O criativo não precisa de menos estrutura. Ele precisa da estrutura certa, aquela que sai do caminho em vez de atrapalhar.
Por isso a pergunta daquele estudante me marcou tanto.
Existe uma geração inteira de criativos entrando no mercado acreditando que vai ter que escolher entre ser organizado ou ser criativo. E ninguém está contando para eles que essa escolha é falsa.
Eu vi isso todo dia durante anos. Talento imenso, energia enorme, e tudo completamente travado.
Caos não é criatividade. Caos é o que sobra quando ninguém traduziu a estrutura para a linguagem de quem cria.
Até a próxima, Fer · Bravê
Publicado originalmente em O Fluxo #4 — abre em nova aba, a newsletter da Bravê no LinkedIn.
Criatividade
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Da estratégia ao go-to-market
Estruturamos o caminho entre a ideia e o lançamento. Organizamos o funil de inovação, damos previsibilidade ao desenvolvimento e conectamos as áreas que precisam decidir juntas. Quando o desafio é criar, entramos como quem desenha e conduz o processo: preparamos o terreno antes, facilitamos a sprint e transformamos o que sai dela em plano de ação com dono e prazo. Sprint aqui é meio, não fim: o que vale é o que sobrevive à semana seguinte. A expertise do tema é do time; o método é nosso.
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Tem uma frase que eu escuto em quase toda operação sobrecarregada, sempre com o mesmo tom de orgulho meio cansado.
Tem uma coisa que aprendi observando muitas operações diferentes. Antes de mudar qualquer processo, você esbarra em algo que não está escrito em lugar nenhum.
Fui chamada para trabalhar em um prêmio de arquitetura. Existia um rascunho de edital, feito pela curadora. Um documento bem pensado, escrito por gente que entende profundamente do assunto.
Do texto para a prática
Se este é o seu problema agora, uma conversa de 30 minutos vale mais que o artigo.