O Fluxo #3 · Tecnologia
Antes de digitalizar, entenda
Uma empresa de saúde animal me chamou para conversar sobre processo. Não sobre sistema novo, não sobre IA, não sobre automação. Só processo.
O Fluxo #3 · Tecnologia
Uma empresa de saúde animal me chamou para conversar sobre processo. Não sobre sistema novo, não sobre IA, não sobre automação. Só processo.
Uma empresa de saúde animal me chamou para conversar sobre processo.
Não sobre sistema novo, não sobre IA, não sobre automação. Só processo. Queriam entender onde estavam perdendo e onde tinham espaço para melhorar, incluindo a parte tecnológica. Já gostei desse começo.
Quando fui olhar como a operação funcionava de verdade, encontrei um cenário bem familiar: solicitações chegando por WhatsApp sem nenhum padrão, informação vivendo na cabeça das pessoas e um sistema que ainda rodava, mas que há muito tempo tinha parado de evoluir. Cheio de restrições, difícil de manter, impossível de crescer junto com o negócio.
Não estava quebrado. Estava travado.
Esse é um ponto que aparece muito e que pouca gente para para pensar: um sistema pode funcionar e ainda assim ser um gargalo.
Não porque é ruim em si. Mas porque ele para no tempo enquanto o negócio segue em frente. Aí começa o improviso. A planilha paralela. O controle no WhatsApp. A informação que só existe na memória de quem está ali todo dia. Não é descuido, é consequência natural de uma ferramenta que chegou no limite.
E quando chega nesse ponto, a tentação é ir direto para a solução. Sistema novo, automação, IA. Que aliás é o assunto do momento né?
O problema é que quando você pula a etapa de entender o processo e vai direto para a ferramenta, o resultado quase sempre é o mesmo: você compra algo mais moderno para rodar um processo velho com interface melhor. O caos continua. Só que agora é digital.
Por isso o ponto de partida desse cliente foi tão importante. Antes de qualquer decisão tecnológica, o trabalho era entender como as coisas funcionavam de fato. Onde a informação entrava, onde ela sumia, onde alguém precisava improvisar para nada travar. Só depois disso faz sentido conversar sobre ferramenta.
E voltando à IA, porque a gente vai voltar sempre nesse assunto. Afinal, está na moda, não é mesmo?
IA não organiza o que ainda não foi pensado. Ela acelera o que já existe. Se o que existe é improviso e informação espalhada, ela vai acelerar o improviso. Mas quando o processo está claro e a informação está no lugar certo, aí ela começa a fazer sentido de verdade. Lê padrões que o time não tem tempo de ver, antecipa problema antes de virar incêndio, libera as pessoas para pensar em vez de apagar incêndio.
Usar IA sem processo é modinha. Usar IA com processo é outra conversa.
Uma pergunta para levar para esta semana:
Se alguém novo entrasse na sua operação amanhã, sem explicação e sem perguntar nada para ninguém, conseguiria entender como o trabalho funciona só pelo que está registrado?
Se a resposta for não, o problema não é a ferramenta. É o que vem antes dela.
A gente sabe onde está cada coisa porque a gente está aqui todo dia. Mas se alguém falta, o bicho pega.
Gestora operacional, empresa de saúde animal.
Tecnologia certa no processo certo é quando as coisas finalmente andam. Chegar lá só depende de fazer as perguntas na ordem certa.
Até a próxima, Fer · Bravê
Publicado originalmente em O Fluxo #3 — abre em nova aba, a newsletter da Bravê no LinkedIn.
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Da estratégia ao go-to-market
Estruturamos o caminho entre a ideia e o lançamento. Organizamos o funil de inovação, damos previsibilidade ao desenvolvimento e conectamos as áreas que precisam decidir juntas. Quando o desafio é criar, entramos como quem desenha e conduz o processo: preparamos o terreno antes, facilitamos a sprint e transformamos o que sai dela em plano de ação com dono e prazo. Sprint aqui é meio, não fim: o que vale é o que sobrevive à semana seguinte. A expertise do tema é do time; o método é nosso.
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Tem uma frase que eu escuto em quase toda operação sobrecarregada, sempre com o mesmo tom de orgulho meio cansado.
Tem uma coisa que aprendi observando muitas operações diferentes. Antes de mudar qualquer processo, você esbarra em algo que não está escrito em lugar nenhum.
Fui chamada para trabalhar em um prêmio de arquitetura. Existia um rascunho de edital, feito pela curadora. Um documento bem pensado, escrito por gente que entende profundamente do assunto.
Do texto para a prática
Se este é o seu problema agora, uma conversa de 30 minutos vale mais que o artigo.