Saiu um dado que devia incomodar mais gente do que incomoda.
O Goldman Sachs olhou a relação entre adoção de IA e produtividade nas empresas americanas e concluiu que a contribuição da IA para o crescimento econômico em 2025 foi, nas palavras deles, basicamente zero. Das empresas que falam de IA nos resultados, só 1% consegue mostrar impacto real no lucro.
No Brasil o retrato é parecido. Uma pesquisa da Amcham com mais de 600 executivos apontou que a IA é hoje a prioridade estratégica número um das empresas. E que apenas 3% conseguiram transformar isso em receita nova ou vantagem competitiva.
Todo mundo investindo. Quase ninguém colhendo. Vale parar pra entender por quê.
A explicação fácil seria dizer que a tecnologia não é boa o suficiente. Mas não é isso.
A FGV mostra que a produtividade brasileira está estagnada há décadas, muito antes da IA existir. Trocamos de ferramenta várias vezes nesse período e o número não se moveu. Quando um problema atravessa tantas gerações de tecnologia sem mudar, ele não é sobre tecnologia.
É sobre o que vem antes dela.
O que os analistas que olharam esses dados concluíram é quase que literalmente o que eu vejo em campo há anos.
A IA entra numa empresa como uma iniciativa isolada. Compra-se a ferramenta, monta-se um squad, anuncia-se a novidade. E ela é colocada em cima de uma operação onde a informação está espalhada, as decisões vivem na cabeça das pessoas e o processo nunca foi de fato desenhado. A tecnologia é potente, mas ela chega numa estrada sem direção.
O resultado é o que os números mostram. Muito investimento, muita expectativa, pouco retorno mensurável. Porque uma ferramenta, por mais avançada que seja, não organiza o que ninguém organizou antes. Ela acelera o que já existe. Se o que existe é confusão, ela entrega confusão mais rápido.
E o que me chama atenção nesse momento é que, pela primeira vez, os dados estão dizendo em alto e bom som uma coisa que era fácil ignorar.
Dava pra fingir que era só questão de adotar a tecnologia certa. Agora Goldman, McKinsey, FGV e uma pesquisa com centenas de executivos brasileiros estão apontando para o mesmo lugar. O gargalo não é a IA. É a maturidade da operação que vai recebê-la.
O gargalo não é a IA. É a maturidade da operação que vai recebê-la.
E isso, no fundo, é uma boa notícia. Porque maturidade de processo é algo que se constrói. Não depende de esperar a próxima ferramenta. Depende de olhar pra dentro, entender como o trabalho realmente acontece e organizar antes de automatizar.
Então fica a pergunta pra levar pra esta semana:
A sua empresa está investindo em IA? Se alguém perguntasse hoje onde exatamente ela faria diferença na sua operação, você saberia responder? Ou seria mais um caso de comprar a tecnologia primeiro e descobrir o uso depois?
Diagnóstico gratuito
Já que o tema é esse: eu e a Banzi montamos um diagnóstico que ajuda a responder exatamente essa pergunta. Onde a IA faria sentido na sua empresa e o que precisa ser organizado antes. São seis perguntas, e o resultado sai na hora.
Fazer o diagnósticoA IA vai continuar evoluindo. Isso não está em dúvida.
O que decide quem colhe resultado e quem só gasta dinheiro não é quem tem a ferramenta mais nova. É quem fez o trabalho que vem antes dela.
Até a próxima, Fer · Bravê
Fontes: análise do Goldman Sachs sobre IA e produtividade (2025); pesquisa Amcham/Humanizadas Panorama 2026, com mais de 600 executivos; dados de produtividade do Observatório da Produtividade da FGV IBRE.
Publicado originalmente em O Fluxo #12 — abre em nova aba, a newsletter da Bravê no LinkedIn.
Tecnologia
Quer aplicar isso?
O serviço que trata deste assunto
- Mais procurado
Projetos de Consultoria
Excelência operacional, processos e resultados mensuráveis
Apoiamos sua empresa na solução de desafios estratégicos e operacionais com foco em performance, processos e resultados mensuráveis. A abordagem se monta conforme o desafio: Lean Six Sigma, ágil ou design thinking entram como ferramenta, nunca como pacote fechado.
- Mapeamento de processos ponta a ponta
- Redesenho de processos e fluxos de trabalho
- Projetos de melhoria com a metodologia que o caso pedir
- Redução de desperdício e retrabalho
- Workshops de facilitação e priorização
- e mais 4
Saiba maisVer Projetos de Consultoria
Continue lendo
Outros artigos
- Ler Confiança vem antes do processoCultura3 min de leitura
Confiança vem antes do processo
Dois anos trabalhando com o mesmo time, e uma parte dele ainda não confiava de verdade no processo. Confiança não se instala: se constrói devagar, no dia a dia.
- Ler O que ninguém fala numa reuniãoCultura2 min de leitura
O que ninguém fala numa reunião
Já saí de muitas reuniões com a sensação de que tinha ficado tudo resolvido. Todo mundo concordou. E aí, semanas depois, nada tinha acontecido.
- Ler O tempo que uma primeira vez pedeCultura2 min de leitura
O tempo que uma primeira vez pede
Tem uma coisa curiosa sobre fazer algo pela primeira vez. A primeira vez não se apressa: ela tem um tempo próprio que não obedece à pressa.
Do texto para a prática
Ler ajuda. Aplicar junto ajuda mais.
Se este é o seu problema agora, uma conversa de 30 minutos vale mais que o artigo.